O Triste encontro do Sertão e a Política

Vivemos dias, aqui no Sertão, de quase desespero. Estamos, ainda, no mês de Agosto, e as barragens, barreiros e os pequenos e médios açudes, já secaram parcialmente, não deixando nenhuma expectativa para o restante do período de seca que se estenderá até o mês de Outubro, isso nas mais otimistas previsões.

Mesmo com esse infortúnio o sertanejo encontra forças para levantar bandeiras, cantar músicas e sair às ruas com os braços para o alto, por causa de seu candidato. Essas cenas não representam um povo sofrido, com recursos limitados, vivendo dias de calamidade pública e carente da ajuda do governo. O que se vê no sertão é um verdadeiro festival, ou mesmo carnaval, onde o dinheiro escorre pelas mãos dos candidatos que investem alto em aparelhagens de som, fogos de artifício e material de campanha. E a população é levada, rua acima, rua abaixo, num baile de euforia, emoção e agitação em torno da cor do seu candidato, que agora resume sua vida e de sua família até o dia final em Outubro.

O Povo daqui foi ensinado assim. Ensinado a amar, defender e lutar pelo seu candidato. Mesmo que não conheça nenhuma proposta de sua campanha, ou mesmo um esboço qualquer de um projeto de governo para sua cidade. Ainda que denúncias denigram a imagem de seu candidato, a simpatia e a consideração falam mais alto. E assim, se desenrola os debates das esquinas e praças, em torno de suas preferências, respaldando suas escolhas pelos favores recebidos e pelo histórico de fidelidade apresentado pelos seus parentes àquele candidato até aquela data.

O Povo sofre e perdeu o poder de transformação que a democracia tentou lhe dar. Perdeu porque entende que a cirurgia que realizou na capital foi fruto dos cuidados de seu candidato. Perdeu porque entende que a ajuda que recebeu para a construção de sua casa, ou a carona sempre em horas difíceis, devem ser lembradas até o fim da vida e posteridade, para com o voto, retribuir tão grande caridade.

Caminhando nessa direção, o Sertão não desenvolve, não avança na história, não dá espaço para verdadeiros empreendedores do bem estar do povo (se é que esse existem por aqui). Nessa direção o Sertão para, e faz gosto por viver na época dos coronéis, onde dr fulano é que sabe das coisas e nós devemos-lhe tudo.

Onde está o reino de Deus nesse encontro? O Sertão precisa encontrar-se com um igreja que conscientiza, esclarece, dá exemplo, enfrenta oligarquias, constrói cidadãos, propõe desenvolvimento, atua na vanguarda de ações para o bem estar do povo. A fim de que no triste encontro da Política com o Sertão se ouça uma terceira opinião, pautada nos princípios do reino de Deus, reino de restauração de vidas, amor, paz e respeito.

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Sobre dyogoecris

Missionários no Sertão do Pernambuco. Procurando responder a perguntas, dente elas: 'Quem somos nós no reino de Deus?'. Esforçando-se em influenciar pessoas a se tornarem discípulos de Jesus. Enfim, descobrindo juntos através da palavra de Deus, como igreja, como funciona o Reino, como nos encaixamos, como apresentamos Jesus a todos.
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