“os crente” são minoria no Sertão.

Aqui no sertão somos chamados de ‘os crentes’, assim como chamam por aqui ‘os ciganos’. Somos caracterizados, marcados e rotulados. Isso existe porque não somos muitos. Apesar do número de evangélicos no Brasil crescer a cada dia e ser contado na faixa dos milhões, por aqui os percentuais são baixíssimos e a realidade é que somos uma minoria. É certo que uma minoria bem destacada, que até confunde os números, deixando parecer que somos mais. E assim um pequeno povo se mostra muito e todos passam a identificar quem faz ou não parte dos ‘crente’.

Toda essa ilusão se desfaz quando chega a época das festas de santo, quando acontecem as romarias, as grandes missas, as quermesses. Então tudo se transforma, na cidade e em cada interior se desmascara a realidade e somos engolidos por um mar de gente que vai às ruas expressar a sua fé naquele santo ou mesmo aproveitar o momento em que grandes shows acontecem com financiamento do governo público. Então “os crentes” voltam à sua insignificância numérica e a realidade sobre nossa condição junto ao restante da população volta a ser de um povo estranho, que se veste diferente, condena todo mundo e carrega sua Bíblia domingo após domingo para reuniões barulhentas.

Pessoalmente, prefiro quando a realidade está latente e quando ‘os crente’ se vêem na real proporção quanto ao restante da população. Assim, aqueles que ingressam nas fileiras desse povo de pouca gente mas muita expressão se convencem das palavras de seu líder maior exigindo, mandando, que saíssem para fazer discípulos em todos os lugares, incluindo o sertão. Só assim, os templos se esvaziariam um pouco para dar lugar a um barulho diferente na cidade, o barulho do amor.

É uma pena que ‘os crente’ sejam conhecidos e reconhecidos na rua somente pelas suas roupas, seu modo de falar e pela denominação que frequentam. Enquanto Jesus declara que a maior caracterização de seus discípulos deveria ser o amor que eles espalhariam por cada ‘próximo’ que encontrassem no caminho.

O Sertão precisa conhecer ‘os crente’ do jeito certo, do jeito de seu líder, da forma de Jesus. O Sertão sofre e agoniza, as famílias se dissolvem e os jovens se perdem. As desgraças se alastram, a corrupção predomina e a esperança se esvai. E a pequena proporção de crente que existe faz questão de se apresentar à todo o povo somente pelo volume do seu glória a Deus e pelo tamanho da Bíblia que acabou de comprar em diversas prestações.

Oramos para que esse pequeno povo que só representa cerca de 3% na maioria das cidades do Sertão, enxergue onde está: envolvido no meio de um povo cego, perdido e muito numeroso. Oramos para que o senso de responsabilidade retorne aos corações já convertidos e que a vontade de apresentar Jesus reapareça. E que a máxima ‘o sertão vai virar mar’ se torne real na seca espiritual que aqui existe, fazendo acontecer um enxurrada de água, da água viva que se chama Jesus.

‘Os crente’ são poucos, a minoria, mas são suficientes para transformar a realidade de alguém que foi amado e pode ser alcançado pela cruz.

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Sobre dyogoecris

Missionários no Sertão do Pernambuco. Procurando responder a perguntas, dente elas: 'Quem somos nós no reino de Deus?'. Esforçando-se em influenciar pessoas a se tornarem discípulos de Jesus. Enfim, descobrindo juntos através da palavra de Deus, como igreja, como funciona o Reino, como nos encaixamos, como apresentamos Jesus a todos.
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