O Sertão precisa de discípulos

No sertão há crentes, cristãos e evangélicos. Mas o sertão precisa de discípulos.

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Semeart em Afrânio. SEMENTES E LIBERDADES

Caboclo, Arizona, Praça, Feira, Meio da Rua, Afrânio. Esse foi o itinerário de uma turma abençoada, animada, entusiasmada, que invadiu nossa cidade e trouxe a mensagem de salvação de uma forma diferente, através da música e do teatro.

Essa turma, chama-se SEMEART (Semeando Vida aos Corações). Ela é composta por seminaristas do Seminário Evangélico Betânia, e voluntários de outras igrejas da cidade de Petrolina, liderados pelo casal de missionários César e Ana, eles tem com o objetivo sair pelos lugares mais variados para falar de Jesus, principalmente àqueles que não vão à igreja, não gostam de crentes, e por isso precisam da atenção de alguém que os ame e esteja disposto a qualquer sacrifício para que conheçam Jesus, não na teoria, através de sermões e cultos, mas na prática, através da alegria de um testemunho de vida dado ali mesmo, na mesa do café, embaixo de uma sombra ou mesmo na boa e velha calçada.

O Sertanejo que mora em Afrânio e que nesse momento enfrenta uma das piores secas, sofrendo pela falta d’água, de comida, de emprego e de perspectiva, pode presenciar a alegria, descontração e o testemunho de superação através de Cristo desses jovens, que conseguiram impactar vidas, trazer esperança, e abrir o caminho para a transformação de muitos, por meio da semente que espalharam.

Isso mesmo, SEMENTES. Sementes que foram deixadas no Caboclo na Sexta à noite.  Num lugar com poucos moradores fixos, mas muitos corações sedentos, sementes foram espalhadas à crianças, jovens, adultos e idosos, que aguardavam ansiosos a montagem do equipamento, e puderam assistir atentos à toda a programação impactante e diferenciada pelo amor, carinho e atenção. Aguardaram também a energia dessa equipe acabar para que voltassem pra casa, cada um com sua sementinha no coração.

SEMENTES que também foram espalhadas no Sábado pela manhã, ali mesmo na via pública, num dos lugares mais movimentados da cidade. Enquanto muitos iam e viam no dia de Feira, ali estava a equipe, tocando músicas ao ritmo do Sertão e chamando a atenção de todos pelas representações teatrais que alcançaram pessoas dos mais variados sítios, vilas e distritos da nossa cidade. Foi assim que puderam semear em lugares distantes, confiando no agir de Deus nessas vidas através da obra do Espírito Santo.

SEMENTES que foram deixadas em Arizona, outro campo missionário, que apesar da distância de 20 km de Afrânio e se localizar na BR-407, ainda assim, não possui nenhum trabalho evangélico. E foi tarde e noite de semeadura, primeiro com as crianças que ao final pediam para que alguém ficasse ali morando com elas, por que precisavam dessa alegria todos os dias, e assim também com os adultos à noite que chegaram a perder um casamento no interior para comprovar as promessas feitas durante os convites, de que Deus falaria aos seus corações através do Teatro. E nessa noite, houve também uma ministração de Deus sobre os membros da Igreja Batista em Afrânio, que puderam experimentar um renovo sobre o cansaço, o desânimo, a sensação de incapacidade e terminar o dia saltando de alegria, jogando essas sementes de amor e salvação aos que ali estavam.

SEMENTES que germinaram no domingo. Não poderia haver uma alegria maior, do que a que sentimos quando víamos vidas levantando suas mãos e entregando suas vidas a Jesus de forma voluntária, emocionada e impactante. Assim vimos adolescentes e adultos deixarem ser selados pelo Espírito Santo, e presenciamos o perdão de Deus ser derramado nessas vidas. Foi assim que encerramos essa aventura, celebrando a LIBERDADE, que Jesus nos presenteou na Cruz. LIBERDADE que começou na vida de cada jovem seminarista que espalhou suas sementes, entre os que mais precisavam e também levaram no seu coração nossa cidade representada, por cada um com quem tiveram contato.

Ainda muitas SEMENTES precisam ser semeadas, mas podemos ter a certeza que não trabalhamos em vão e continuaremos acreditando que outras vidas podem ser transformadas.

Que Deus Abençoe esse pequeno exército em suas próximas batalhas.

Valeu SEMEART!!!

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O Triste encontro do Sertão e a Política

Vivemos dias, aqui no Sertão, de quase desespero. Estamos, ainda, no mês de Agosto, e as barragens, barreiros e os pequenos e médios açudes, já secaram parcialmente, não deixando nenhuma expectativa para o restante do período de seca que se estenderá até o mês de Outubro, isso nas mais otimistas previsões.

Mesmo com esse infortúnio o sertanejo encontra forças para levantar bandeiras, cantar músicas e sair às ruas com os braços para o alto, por causa de seu candidato. Essas cenas não representam um povo sofrido, com recursos limitados, vivendo dias de calamidade pública e carente da ajuda do governo. O que se vê no sertão é um verdadeiro festival, ou mesmo carnaval, onde o dinheiro escorre pelas mãos dos candidatos que investem alto em aparelhagens de som, fogos de artifício e material de campanha. E a população é levada, rua acima, rua abaixo, num baile de euforia, emoção e agitação em torno da cor do seu candidato, que agora resume sua vida e de sua família até o dia final em Outubro.

O Povo daqui foi ensinado assim. Ensinado a amar, defender e lutar pelo seu candidato. Mesmo que não conheça nenhuma proposta de sua campanha, ou mesmo um esboço qualquer de um projeto de governo para sua cidade. Ainda que denúncias denigram a imagem de seu candidato, a simpatia e a consideração falam mais alto. E assim, se desenrola os debates das esquinas e praças, em torno de suas preferências, respaldando suas escolhas pelos favores recebidos e pelo histórico de fidelidade apresentado pelos seus parentes àquele candidato até aquela data.

O Povo sofre e perdeu o poder de transformação que a democracia tentou lhe dar. Perdeu porque entende que a cirurgia que realizou na capital foi fruto dos cuidados de seu candidato. Perdeu porque entende que a ajuda que recebeu para a construção de sua casa, ou a carona sempre em horas difíceis, devem ser lembradas até o fim da vida e posteridade, para com o voto, retribuir tão grande caridade.

Caminhando nessa direção, o Sertão não desenvolve, não avança na história, não dá espaço para verdadeiros empreendedores do bem estar do povo (se é que esse existem por aqui). Nessa direção o Sertão para, e faz gosto por viver na época dos coronéis, onde dr fulano é que sabe das coisas e nós devemos-lhe tudo.

Onde está o reino de Deus nesse encontro? O Sertão precisa encontrar-se com um igreja que conscientiza, esclarece, dá exemplo, enfrenta oligarquias, constrói cidadãos, propõe desenvolvimento, atua na vanguarda de ações para o bem estar do povo. A fim de que no triste encontro da Política com o Sertão se ouça uma terceira opinião, pautada nos princípios do reino de Deus, reino de restauração de vidas, amor, paz e respeito.

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Evangelho no Sertão… Meio caminho andado…

Todo o noticiário nacional divulga a situação da recente seca que vivemos aqui no semiárido nordestino. Mas andar pelas estradas e ver de perto as plantações secando, esperando pela chuva que não veio é muito mais impactante. Avistar terras que foram aradas, sementes que foram plantadas, e ainda presenciar feijão e milho lutando para sobreviver, traz ao sertanejo uma frase só: ‘se houvesse mais uma chuva, ainda daria tempo’. E Assim todos ficam com o sentimento de ‘meio caminho já andado’.

Quando andamos pelas estradas do sertão com um olhar voltado para o Reino de Deus, e enxergamos não só plantações, mas também pessoas que são o alvo do sacrifício de Jesus, também nos deparamos com uma terrível seca. Corações ressecados pelo sol da idolatria, do tradicionalismo da velha Lei que afasta todos da mensagem genuína e verdadeira acerca de Jesus.

O Sentimento quanto às plantações é o mesmo. Pois por aqui todos conhecem Jesus e em grande parte tem contato com a Bíblia. Ou seja, meio caminho andado. Plantinhas que nasceram, mas ainda precisam da chuva específica do Espírito da Verdade para germinar e dar frutos. E essa chuva precisa de nuvens para carregá-las. Eu e você, os responsáveis pelo fim da seca ‘do evangelho’ em todo o sertão.

Deus deseja que sua igreja entenda que a terra foi arada, as sementes foram jogadas e muitos corações até já germinaram a semente da palavra, mas ainda precisam da chuva que vai que completar o caminho e transformar o quadro de ‘meio caminho andado’ que se encontram tantas vidas espalhadas pelo sertão.

Contra a seca, só nos resta esperar a providência de Deus.
Contra a seca ‘do evangelho’ nos sobra a motivação, o chamado, e a certeza de que o poder e a vontade de Deus estão à nosso favor.
Que Deus nos abençoe, nos traga de volta ao caminho que ficou só ‘meio caminho andado’.

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No Sertão a igreja não pode ser só Igreja

Jesus não foi só Rabi. Ele não ficou só sentado ensinando as escrituras.

Jesus não foi só Filho de Davi. Ele não passou o tempo todo entrando em Jerusalém de forma gloriosa.

Jesus foi também a cura para os doentes, o alívio para os desamparados, e até a providência de alimento para aqueles que tinham fome.

A Igreja no Sertão é a expressão da vontade deste Jesus. E Por isso não pode se limitar a ser só igreja, ou seja, não pode ter uma atuação simplória e limitada. Precisa estender sua ação para além dos limites do templo e dos seus membros.

A Igreja no Sertão precisa abrir os olhos para as necessidades que estão ao seu redor. Às vezes no mesmo bairro, na mesma rua. Precisa conhecer o que as pessoas precisam e se esforçar para mostrar o que Jesus estaria fazendo se estivesse em nosso tempo.

A Igreja no sertão necessita transformar ‘programas’, ‘liturgias’ e outras atividades tão comuns, em benefício real para as pessoas que estão ao seu redor, na medida do que elas decidem como suas necessidades reais.

Quando a Igreja deixa de ser só igreja… ele não só anuncia, mas também participa das vidas das pessoas, fazendo a diferença para a vida dos que estão esperando conhecer Jesus.

Quando a igreja deixa de ser só igreja… ela transforma-se também em escola ; ela transforma-se em agência de emprego, em cooperativa dos produtos da comunidade, em conservatório de música, em celeiro de cantores, ou de qualquer profissão; a igreja se transforma no que vai abençoar a vida (em todos os aspectos) dos que estão ao seu redor.

E o melhor de tudo é ainda assim ela não deixa de ser Igreja, mas deixa de ser só igreja.

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Dono de Bar Evangelista? Surpresas do Sertão!

Um dia qualquer andando pelo sertão com a pretensão de fazer o trabalho de Deus ou a ‘obra de Deus’ como se costuma falar, é uma oportunidade para saber que Deus nunca deixou de trabalhar, e que o Sertão está no seu coração, e ainda, que pessoas estão sendo tocadas pela sua mão e pela sua voz que os chama à verdade. Foi assim que conhecemos Fábio, sua esposa e dois filhos, donos de um bar na beira da estrada, que poderia ser tido como um lugar onde o evangelho jamais chegaria, ou mesmo um lugar impenetrável para o anúncio das verdades do Reino de Deus.

Mas o quadro que encontramos foi totalmente surpreendente. Encontramos um casal com experiências magníficas com Deus, conhecedores de histórias bíblicas e com um desejo enorme de servir a Deus, mesmo que ainda presos pelo seu meio de vida que garante o pão para as crianças.

No Sertão, Deus está agindo. Essa era a certeza que enchia nossos corações diante de cada história de vida que ouvíamos desse casal e de suas aventuras pela vida que sempre os levava a crer num único Deus e Senhor, mesmo morando num lugar onde quase todos acreditam numa ‘senhora’ e devotam sua vida a um ‘padim’. Ouvir e ouvir foi nosso único papel. Deus não nos levou ali para pregarmos, ensinarmos a bíblia, nem muito menos mostrar nosso conhecimento. Fomos levados até ali para ver o que Deus estava fazendo, e poder descansar e crer que podemos continuar na missão de invadir as terras apossadas pela idolatria e a descrença, sabendo que á nossa frente o Espírito já está agindo e abrindo caminho.

O Sertão precisa de esperança. Mesmo tendo um conhecimento bíblico e experiências com Deus. Esse casal ainda precisa de quem lhe façam companhia e decidam andar juntos nesta vida sofrida que se oferece aqui no sertão. Uma conversa, uma ajuda, amigos e companheiros são mais preciosos por estas bandas do que muitas vezes dinheiro no bolso.

De todos os elogios que Fabio e sua família teceram aos ‘crentes’ o mais firme e repetido, foi a uma pessoa que os ajudou no momento mais difícil de suas vidas, deixando de lhes cobrar 5 meses de aluguéis atrasados e ainda pagando água e luz desse casal enquanto passavam por uma crise financeira.

O Sertão espera por uma igreja que se importe com a situação das pessoas que sofrem. Espera pela prática do discurso que escutam à décadas. Querem ver acontecer o amor propagado pelos quatro ventos.

O Sertão (em grande parte) já ouviu a mensagem, agora precisa aprovar os mensageiros e provar de fato o sabor que tem essa mensagem em suas vidas. É hora de levar a prova concreta do que acreditamos para que não se esqueçam jamais que fazemos o que pregamos.

Muitos Fabio’s estão espalhados pelo sertão. Com o coração cheio da mensagem, mas as mãos vazias da presença dos mensageiros. O Tempo chegou de pararmos de só falar e começar a observar o que Deus tem feito. E Assim descobrirmos que às vezes nem pregar será preciso e sim fazer valer o que já está no coração dos sertanejos, cravado pelo Espírito Santo.

Que Deus nos dê olhos pra ver o que Ele tem feito por aqui.

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O Sertão e o UFC

O Esporte de mais popularidade no momento é um esporte de luta. Um esporte, onde os atletas têm o objetivo de derrubar seus adversários até que não consigam se levantar, ou que os juízes decidam que não existe possibilidade do adversário se defender. Esse esporte mundial que acontece dos Estados Unidos até o Japão, tem em suas principais estrelas, brasileiros, que se destacam como campeões mundiais em três principais categorias.

No Sertão também existem lutadores. Mesmo que o UFC ainda não tenha tido nenhuma edição sediada por aqui. Os lutadores do Sertão têm como principais adversários: Seca, Desemprego e Analfabetismo. Além de muitos outros que entram no octógono contra nossos lutadores sertanejos diariamente.

No Sertão se trava um luta todos os dias. E aqui vivem muitos valentes que decidem enfrentar esses adversários, em vez de ‘fugir’ para outros ringues em busca de lutas mais fáceis. Os lutadores sertanejos encaram a senhora ‘seca’ com muita vontade de vencer, sempre procurando alternativas que possibilitem a vida por mais um ano. Por aqui, chuva é substituída por carro pipa, capim verde por ração, e isso com muita determinação de continuar de pé.

No Sertão algumas lutas estão quase perdidas, pois por aqui não sobram empregos. E mesmo assim esses lutadores sofridos e  cansados de apanhar, desenvolvem um estilo de vida triste que os possibilite esperar meses por um emprego, ou ainda passar anos dependendo de um que não contempla todas as suas necessidades. Essa é uma técnica apurada, onde nossos lutadores, mesmo no chão, sofrendo pressão de adversários cruéis, aprendem a não desistir e a acreditar que uma virada é possível.

No Sertão alguns adversários são covardes. Não é fácil lutar, competir sem treinamento. E o sertanejo sofre pela falta que lhe faz uma boa educação, escolas de qualidade e uma formação técnica-profissional. E assim, as lutas se tornam uma covardia. Tentar arrumar um emprego, mesmo tendo anos de experiência, mas somente o ensino fundamental, e ainda incompleto, é quase impossível. E os novos lutadores, ainda não entenderam essa realidade. Freqüentam a escola, terminam seu ensino médio, mas ainda assim saem de lá analfabetos, diante de um mundo que há muito estendeu suas exigências para uma faculdade, uma pós-graduação e outros mais.

A Igreja deve entrar nessa luta. As realidades sociais de um povo devem ser alvo de transformação da agência de Deus na terra. Os discípulos de Jesus, que têm também suas próprias lutas, devem encarar esses adversários pelo amor que seu mestre dispensou aos tão queridos sertanejos. Cada adversário desse povo também devem ser adversários a ser derrotados por aqueles que têm a mensagem de salvação.

É tempo de se ver homens e mulheres de Deus com formação nessas áreas de tamanhas necessidades do sertanejo. Agrônomos (as), Médicos (as), Empresários (as), Professores (as) e muitos outros. Um exército de lutadores que atuem fora das igrejas, como se estivessem dentro delas. Um verdadeiro reforço aos nossos lutadores sertanejos que lutam, mas sem saber por que e para que. Um grupo seleto de pessoas normais que se diferenciam por conhecer o criador e seus propósitos e princípios para esta vida.

Esses adversários não serão vencidos facilmente. O importante aqui não é a vitória imediata. Mas a mudança de objetivos em se lutar. Expandir a visão de um povo que só enxerga seus pés, por um vislumbre de promessas de um Deus que os ama e prepara um futuro glorioso ao seu lado.

O Sertão luta para sobreviver. Mas deve adorar enquanto sobrevive. Para isso precisa conhecer a razão de sua adoração e o Senhor que a merece. Esse é o papel da Igreja.

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