No Sertão a igreja não pode ser só Igreja

Jesus não foi só Rabi. Ele não ficou só sentado ensinando as escrituras.

Jesus não foi só Filho de Davi. Ele não passou o tempo todo entrando em Jerusalém de forma gloriosa.

Jesus foi também a cura para os doentes, o alívio para os desamparados, e até a providência de alimento para aqueles que tinham fome.

A Igreja no Sertão é a expressão da vontade deste Jesus. E Por isso não pode se limitar a ser só igreja, ou seja, não pode ter uma atuação simplória e limitada. Precisa estender sua ação para além dos limites do templo e dos seus membros.

A Igreja no Sertão precisa abrir os olhos para as necessidades que estão ao seu redor. Às vezes no mesmo bairro, na mesma rua. Precisa conhecer o que as pessoas precisam e se esforçar para mostrar o que Jesus estaria fazendo se estivesse em nosso tempo.

A Igreja no sertão necessita transformar ‘programas’, ‘liturgias’ e outras atividades tão comuns, em benefício real para as pessoas que estão ao seu redor, na medida do que elas decidem como suas necessidades reais.

Quando a Igreja deixa de ser só igreja… ele não só anuncia, mas também participa das vidas das pessoas, fazendo a diferença para a vida dos que estão esperando conhecer Jesus.

Quando a igreja deixa de ser só igreja… ela transforma-se também em escola ; ela transforma-se em agência de emprego, em cooperativa dos produtos da comunidade, em conservatório de música, em celeiro de cantores, ou de qualquer profissão; a igreja se transforma no que vai abençoar a vida (em todos os aspectos) dos que estão ao seu redor.

E o melhor de tudo é ainda assim ela não deixa de ser Igreja, mas deixa de ser só igreja.

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Dono de Bar Evangelista? Surpresas do Sertão!

Um dia qualquer andando pelo sertão com a pretensão de fazer o trabalho de Deus ou a ‘obra de Deus’ como se costuma falar, é uma oportunidade para saber que Deus nunca deixou de trabalhar, e que o Sertão está no seu coração, e ainda, que pessoas estão sendo tocadas pela sua mão e pela sua voz que os chama à verdade. Foi assim que conhecemos Fábio, sua esposa e dois filhos, donos de um bar na beira da estrada, que poderia ser tido como um lugar onde o evangelho jamais chegaria, ou mesmo um lugar impenetrável para o anúncio das verdades do Reino de Deus.

Mas o quadro que encontramos foi totalmente surpreendente. Encontramos um casal com experiências magníficas com Deus, conhecedores de histórias bíblicas e com um desejo enorme de servir a Deus, mesmo que ainda presos pelo seu meio de vida que garante o pão para as crianças.

No Sertão, Deus está agindo. Essa era a certeza que enchia nossos corações diante de cada história de vida que ouvíamos desse casal e de suas aventuras pela vida que sempre os levava a crer num único Deus e Senhor, mesmo morando num lugar onde quase todos acreditam numa ‘senhora’ e devotam sua vida a um ‘padim’. Ouvir e ouvir foi nosso único papel. Deus não nos levou ali para pregarmos, ensinarmos a bíblia, nem muito menos mostrar nosso conhecimento. Fomos levados até ali para ver o que Deus estava fazendo, e poder descansar e crer que podemos continuar na missão de invadir as terras apossadas pela idolatria e a descrença, sabendo que á nossa frente o Espírito já está agindo e abrindo caminho.

O Sertão precisa de esperança. Mesmo tendo um conhecimento bíblico e experiências com Deus. Esse casal ainda precisa de quem lhe façam companhia e decidam andar juntos nesta vida sofrida que se oferece aqui no sertão. Uma conversa, uma ajuda, amigos e companheiros são mais preciosos por estas bandas do que muitas vezes dinheiro no bolso.

De todos os elogios que Fabio e sua família teceram aos ‘crentes’ o mais firme e repetido, foi a uma pessoa que os ajudou no momento mais difícil de suas vidas, deixando de lhes cobrar 5 meses de aluguéis atrasados e ainda pagando água e luz desse casal enquanto passavam por uma crise financeira.

O Sertão espera por uma igreja que se importe com a situação das pessoas que sofrem. Espera pela prática do discurso que escutam à décadas. Querem ver acontecer o amor propagado pelos quatro ventos.

O Sertão (em grande parte) já ouviu a mensagem, agora precisa aprovar os mensageiros e provar de fato o sabor que tem essa mensagem em suas vidas. É hora de levar a prova concreta do que acreditamos para que não se esqueçam jamais que fazemos o que pregamos.

Muitos Fabio’s estão espalhados pelo sertão. Com o coração cheio da mensagem, mas as mãos vazias da presença dos mensageiros. O Tempo chegou de pararmos de só falar e começar a observar o que Deus tem feito. E Assim descobrirmos que às vezes nem pregar será preciso e sim fazer valer o que já está no coração dos sertanejos, cravado pelo Espírito Santo.

Que Deus nos dê olhos pra ver o que Ele tem feito por aqui.

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O Sertão e o UFC

O Esporte de mais popularidade no momento é um esporte de luta. Um esporte, onde os atletas têm o objetivo de derrubar seus adversários até que não consigam se levantar, ou que os juízes decidam que não existe possibilidade do adversário se defender. Esse esporte mundial que acontece dos Estados Unidos até o Japão, tem em suas principais estrelas, brasileiros, que se destacam como campeões mundiais em três principais categorias.

No Sertão também existem lutadores. Mesmo que o UFC ainda não tenha tido nenhuma edição sediada por aqui. Os lutadores do Sertão têm como principais adversários: Seca, Desemprego e Analfabetismo. Além de muitos outros que entram no octógono contra nossos lutadores sertanejos diariamente.

No Sertão se trava um luta todos os dias. E aqui vivem muitos valentes que decidem enfrentar esses adversários, em vez de ‘fugir’ para outros ringues em busca de lutas mais fáceis. Os lutadores sertanejos encaram a senhora ‘seca’ com muita vontade de vencer, sempre procurando alternativas que possibilitem a vida por mais um ano. Por aqui, chuva é substituída por carro pipa, capim verde por ração, e isso com muita determinação de continuar de pé.

No Sertão algumas lutas estão quase perdidas, pois por aqui não sobram empregos. E mesmo assim esses lutadores sofridos e  cansados de apanhar, desenvolvem um estilo de vida triste que os possibilite esperar meses por um emprego, ou ainda passar anos dependendo de um que não contempla todas as suas necessidades. Essa é uma técnica apurada, onde nossos lutadores, mesmo no chão, sofrendo pressão de adversários cruéis, aprendem a não desistir e a acreditar que uma virada é possível.

No Sertão alguns adversários são covardes. Não é fácil lutar, competir sem treinamento. E o sertanejo sofre pela falta que lhe faz uma boa educação, escolas de qualidade e uma formação técnica-profissional. E assim, as lutas se tornam uma covardia. Tentar arrumar um emprego, mesmo tendo anos de experiência, mas somente o ensino fundamental, e ainda incompleto, é quase impossível. E os novos lutadores, ainda não entenderam essa realidade. Freqüentam a escola, terminam seu ensino médio, mas ainda assim saem de lá analfabetos, diante de um mundo que há muito estendeu suas exigências para uma faculdade, uma pós-graduação e outros mais.

A Igreja deve entrar nessa luta. As realidades sociais de um povo devem ser alvo de transformação da agência de Deus na terra. Os discípulos de Jesus, que têm também suas próprias lutas, devem encarar esses adversários pelo amor que seu mestre dispensou aos tão queridos sertanejos. Cada adversário desse povo também devem ser adversários a ser derrotados por aqueles que têm a mensagem de salvação.

É tempo de se ver homens e mulheres de Deus com formação nessas áreas de tamanhas necessidades do sertanejo. Agrônomos (as), Médicos (as), Empresários (as), Professores (as) e muitos outros. Um exército de lutadores que atuem fora das igrejas, como se estivessem dentro delas. Um verdadeiro reforço aos nossos lutadores sertanejos que lutam, mas sem saber por que e para que. Um grupo seleto de pessoas normais que se diferenciam por conhecer o criador e seus propósitos e princípios para esta vida.

Esses adversários não serão vencidos facilmente. O importante aqui não é a vitória imediata. Mas a mudança de objetivos em se lutar. Expandir a visão de um povo que só enxerga seus pés, por um vislumbre de promessas de um Deus que os ama e prepara um futuro glorioso ao seu lado.

O Sertão luta para sobreviver. Mas deve adorar enquanto sobrevive. Para isso precisa conhecer a razão de sua adoração e o Senhor que a merece. Esse é o papel da Igreja.

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Ano Novo. Sertão Novo?

2012 chegou. Mas por aqui no sertão as coisas estão do mesmo jeito. Nosso povo não se ilude com os fogos de Copacabana, nem com as promessas de virada de ano. Por aqui o réveillon muitas vezes acontece com um sono profundo de um dia qualquer. No Sertão são poucos os que se empolgam com uma mudança de data, logo num lugar onde não existem mudanças de estações e durante quase todo o ano o clima marca a continuidade de dias vividos embaixo do sol escaldante, sempre à espera da época de chuvas, que nesse 2012 ainda não chegou.

2012 chegou. Mas no sertão todos estão vivendo do mesmo jeito. Correndo atrás dos prejuízos causados pela economia fraca de suas cidades. Se esforçando para compensar a falta de alimentos para os animais com compra de ração e levando o gado sempre pra um lugar diferente onde a água ainda não secou. Lutando para sobreviver com o contado dinheiro da aposentadoria, que só recebe um acréscimo quando o feijão e o milho brotam da terra para enfeitar a mesa e os armazéns do sertanejo. Ou ainda se aproveitando dos vários bolsas ‘alguma coisa’ que o governo libera para as mães de vários filhos que em vez de trabalhar passam a ajustar a vida aos míseros reais que se tornam a fonte de renda da casa.

2012 chegou. Mas muita coisa ainda não chegou no Sertão. E para os inúmeros vilarejos do interior, ainda não chegou o evangelho, ainda ninguém trouxe ‘boas-notícias’, ainda estão à mercê do que seus pais ensinaram e vivendo uma vida sem esperança. Mesmo no século 21, mesmo num novo ano, muitos ainda vivem uma vida velha, movida de tradições antigas que arrastam o povo numa vida de pouco contato com Deus, mas muito contato com a cachaça, com a prostituição das garotas de pouca idade, e tantos outros males que se repetem ano após ano pelo sertão.

2012 chegou. Mas é preciso que chegue também uma nova oportunidade para esse povo. E enquanto o governo não chega com suas soluções em infra-estrutura, emprego e saúde. Aqueles que pertencem ao ‘governo de Deus’, ou seja, o ‘Reino de Deus’, precisam espalhar o que têm para esse povo, as boas notícias de Deus, as boas ações de Deus, a boa companhia de Deus. O Reino de Deus pode chegar onde os homens não acreditam e não investem. O Reino de Deus pode invadir o Sertão em suas casas distantes e em seus vilarejos mais escondidos e perdidos.

2012 chegou. Realmente é um ano novo, mas será que teremos um novo Sertão? Teremos pessoas sendo transformado em novas criaturas? Teremos hábitos antigos trocados por novas atitudes movidas pelo Espírito de Deus? Veremos antigas crenças sendo substituídas pela fé no Filho de Deus, Rei dos Reis? Seremos testemunha de famílias inteiras, vilas inteiras se modificando pelo agir de Deus e o seu poder de perdoar pecados?

2012 chegou. E o que chegou em nossos corações? Esperamos que com esse ano venha o sentimento de urgência, de amor e compaixão por esse povo que se chama nordestino e que espera dia após dia, ano após ano, a mão de Deus se levantar para os redimir de uma vida tão dura e difícil. Esperamos que um novo ano, nos traga novo ânimo, novos planos, novos objetivos, novas estratégias, nova esperança de ver o sertanejo de joelhos diante do Único que é digno e seu nome é Jesus.

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Histórias do Sertão: Um último suspiro e o Salmo 25

Nos idos de 82, um casal com seus seis filhos enfrenta as dificuldades da vida morando no meio do sertão,  vivendo com alegria e perseverança tudo que tinham direito, diante da natureza e da vida em torno da família.

Pela influência de uma família adventista, os pais começam seus primeiros contatos com a Bíblia, onde a esposa logo se destaca, causando interesse no marido que mesmo tendo mais leitura não consegue explicar como a esposa os detalhes  e as novidades vindos da leitura das sagradas escrituras.

Até que um dia a esposa se sente mal e no meio da noite chama o esposo e lhe diz para pegar a Bíblia e lê-la que sua hora de partir estava chegando. O Esposo logo se levanta da rede e cumpre, assustado, o pedido da esposa. Pegando a Bíblia que tinha em casa abre no salmo 24 (salmo 25 na Bíblia Protestante) e a cada versículo lido à luz do lampião a esposa ofegante consente com um amém.

Assim, com o sofrimento, a agonia, o lampião e o salmo 25, amanhece o dia e o esposo corre até a vila mais próxima, para conseguir um carro a fim de salvar a esposa, levando-a ao  hospital da cidadezinha. Mas quando retorna já encontra sua esposa dando os últimos suspiros.

O Modo como sua esposa partiu dessa vida, ao som do salmo25, fez com que o esposo ficasse tranqüilo e conformado diante de tão bela forma de encarar a morte. Então decidiu dar uma oportunidade diferente aos seus seis filhos, levando-os a morar na cidade, entregando a própria vida a Jesus e oferecendo logo cedo a eles a oportunidade de conhecer as boas novas.

Hoje todos os filhos desse casal servem ao Senhor. E o esposo que casou de novo e teve mais dois filhos, ainda está perseverante no caminho de anunciar as boas novas de salvação, junto com sua nova família. E dizendo: “Eu e minha casa servimos ao Senhor.”

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Sertanejo: Um povo que não desiste.

Estamos vivendo tempos difíceis no Sertão. A chuva já devia ter chegado. Em vez dela temos mais e mais dias quentes. O Calor, que já era insuportável, se agrava e torna a vida mais difícil. Tanto para as donas de casa que estão debaixo de seus tetos, quanto para os que ficam desprotegidos, e precisam encarar o sol escaldante que castiga o corpo e perturba a mente.

Mas mesmo diante de um quadro desfavorável, o sertanejo permanece diariamente enfrentando tudo na luta pela sua sobrevivência. Encontrando meios de vencer o calor. Aqueles que não podem fugir para uma sombra, se cobrem todo, como verdadeiros astronautas, na viagem em direção à roça ‘planetária’. Os que podem se refugiam, os que podem mais se refrigeram e assim vão vivendo.

Acompanhando um criador e vendo sua luta para amenizar os efeitos do calor sobre seus animais, vi a perseverança estampada no rosto e nas mãos do sertanejo sofrido que não desiste. Vendo de perto um agricultor numa área irrigada também pude perceber o esforço ‘a mais’ que se faz necessário nessa época com o sol por cruel testemunha.

É nesse exemplo que enxergamos  o evangelho se expandir, mesmo diante de situações desfavoráveis, vislumbramos o desabrochar de vidas que vencem todos os preconceitos e se declaram seguidoras de Jesus. Assim como a flor improvável do mandacaru.

Esse povo é um povo valente em suas lutas. E quando abraça a causa do Reino de Deus também o faz com toda sua energia, batalhando, perseverando, vencendo e sendo sustentado pela potente mão do Senhor.

Conheci uma senhora por nome Maria, morando numa vila distante 23 km da cidade, e que até bem pouco tempo permanecia como a única ‘crente’ do lugar, e isso já ha 30 anos.

Em outra localidade, andando pelas estradas de chão, em vez de uma associação de moradores ou um bar, encontra-se uma igreja. Erguida e frequentada pelos moradores do lugar, que por amarem a Jesus abandonaram suas vidas de vícios e tradição religiosa, para trilhar o caminho da verdade, e não querem voltar atrás.

Assim continuamos, acreditando que é possível sim, ver chuva no  sertão e ver pessoas transformadas por Jesus e por sua palavra, que é a verdade.

“Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêem e são salvos.”
Hebreus 10:39 

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Cadê a chuva no sertão?

quando virão?

Estamos vivendo os dias em que os últimos recursos do sertanejo estão acabando enquanto ele espera a chuva. Os animais já não têm nenhum pasto, a palma já não supre à demanda de todos os criadores, os tanques e pequenos açudes já estão secando (literalmente) e a ração comprada já está ficando cara demais para alimentar os animais. Essa dificuldade afeta não só a criação de animais como também os próprios sertanejos, que vêem os “carros-pipa” indo e vindo, dos açudes para as casas, tentando dar um pouco de água para que a dignidade para os que vêm tudo a sua volta secar.

Ao mesmo tempo, esses são dias em que a esperança da chuva reascendo na maioria dos corações. E enquanto lutam para sobreviver, os sertanejos despejam suas palavras de ânimo, acreditando que mais uma vez o ciclo natural irá acontecer e sua chuva esperada e necessária virá através da bondosa mão de Deus. É esse misto de necessidade e esperança que faz o sertanejo não desanimar, nunca parar e enfrentar ano após ano sua já declarada guerra contra o clima e as adversidades.

Esses são dias em que a chuva é a questão mais importante. Mas também são dias que representam outra questão que é mais crucial que a própria chuva. Por que apesar de lutar tanto para sobreviver à seca, o sertanejo definha diante da sua morte espiritual, sem forças para reagir, devido suas faltas de informações de como alcançar a solução. Estão presos, enganados, cegos, ludibriados e pedindo socorro.

Afinal, o que adianta escapar da seca e mas não escapar da condenação. O Sertão precisa de água, precisa de soluções científicas de sobrevivência nos períodos áridos, precisa de ações governamentais para acabar com a pobreza e a miséria. Mas também precisa de ações que visem sua seca espiritual, sua sequidão de Deus e sua palavra e traga chuva que mata a sede da alma, sede de vida, sede de Deus.

Quem trará a verdadeira chuva para o sertão?

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